(Leia isso ouvindo Rita Lee - Ovelha Negra)
Cheguei aos meus vinte e poucos anos com a sensação de uma criança: tudo é motivo de riso, espanto, admiração, sensibilidade e uma ingenuidade curiosa. Nem muito, nem pouco, só o suficiente. Sem pretensões, aquela vida sossegada que um ser de 5 anos tem ao olhar pra fora da janela e ver o mundo que se resume ao quintal de sua casa.
Hoje minha mãe disse, rindo, que é impossível viver assim. Citei pra ela um trechinho da bíblia, mesmo eu sendo um ser mais espiritual que religioso achei que caia bem na conversa: "Contemplai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem armazenam em celeiros; contudo, vosso Pai celestial as sustenta. Não tendes vós muito mais valor do que as aves?" (Mateus, 6:26).
Meu Deus quanto tempo eu passei sem saber!
É que ninguém conta, sabe. Acho que é alguma fraternidade dos "deixe que eles descubram por si só que é preciso viver a vida antes de morrer". Irônico isso, não? Viver antes de morrer. Tão clichê que se esconde atrás do óbvio. E se esconde mesmo, juro!
Eu vivo antes de morrer quando saio com amigos que me fazem bem, danço sem ter motivos, assisto a um filme que carrega uma mensagem bonita de vida... Quando leio algo que vai direto pra alma, quando sorrio para o desconhecido que passa na rua, quando abraço uma árvore ou levo cachorrinhos passear.
Parece coisa de ovelha voadora, eu sei. E é, pois das margens desses meus vinte e alguns anos a única coisa que posso afirmar com um pouquinho de certeza é que somos o que queremos ser <3 E, se o universo permitir, eu quero ser uma constante metamorfose ambulante.
"Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
É chato chegar
A um objetivo num instante
Eu quero viver
Nessa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Sobre o que é o amor
Sobre o que eu nem sei quem sou
Se hoje eu sou estrela
Amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio
Amanhã lhe tenho amor
Lhe tenho amor
Lhe tenho horror
Lhe faço amor
Eu sou um ator"
- Rauzito
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